O que mudou no mercado imobiliário recente
No mercado imobiliário brasileiro, houve uma mudança importante nos últimos meses: o mercado está começando a sair do pior momento do crédito, mas ainda não virou um cenário de juros baixos.
Os principais movimentos recentes são:
- Selic começou a cair: o Banco Central reduziu a Selic para 14% ao ano, no quarto corte consecutivo. Ainda é uma taxa alta, mas a direção é positiva para o financiamento imobiliário.
- Crédito continua caro e mais seletivo: a poupança, uma das principais fontes do financiamento imobiliário, teve resgates líquidos de R$ 30,6 bilhões no primeiro semestre de 2026, pressionando o funding tradicional.
- Minha Casa, Minha Vida ganhou força: o segmento de baixa e média renda está mais aquecido, enquanto imóveis de médio e alto padrão são mais sensíveis aos juros. O mercado também teve expansão dos limites e condições do programa.
- Mais lançamentos: os lançamentos residenciais cresceram cerca de 19,3%, segundo levantamento do GRI, mostrando que as incorporadoras estão apostando na continuidade da demanda.
- Expectativa de recuperação do financiamento: a Abecip projetou crescimento de 16% no volume de financiamento imobiliário em 2026, puxado principalmente pela expectativa de juros menores e novas fontes de funding.
- Aluguel continua relevante: para famílias que não conseguem absorver as parcelas de financiamento, o aluguel permanece uma alternativa competitiva, especialmente enquanto os juros ainda estão elevados.
O que isso significa na prática?
Para quem quer comprar: 2026 pode estar criando uma janela interessante. Ainda existe espaço para negociação, principalmente em imóveis usados ou com vendedores pressionados, mas uma eventual queda maior dos juros pode aumentar a concorrência e os preços.
Para quem quer vender: o ambiente está melhorando, mas preço correto continua sendo fundamental. Não significa que qualquer imóvel esteja valorizando rapidamente.
Para quem investe: eu olharia principalmente para renda de aluguel + potencial de valorização, e não apenas para a expectativa de que o imóvel suba de preço.
E em Minas Gerais/Belo Horizonte, vale analisar separadamente, porque o comportamento de preços, aluguel, lançamentos e financiamento pode ser bem diferente da média brasileira.
Rodrigo Fenelon
Corretor de imóveis